Por Marcela Araújo

Nesse quadro novo a gente vai desmembrar o estilo e a importância de uns maravilhosos que passaram aqui por esse mundo revolucionando tudo! E que, principalmente, servem de enorme inspiração para a SALOON 33 em suas criações.

Meu nome é Marcela! Tenho 25 anos, sou stylist e consultora de imagem. Aqui nós vamos usar análise semiótica, conceitos de imagem, visagismo e tudo junto e misturado para compreendermos o poder que tem o estilo próprio e o quanto um “simples” look se carrega de significados e pode transmitir um mundo de coisas ao nosso querido cérebro! Segura o rio de inspiração que está por vir.

Dito isto, acho justíssimo começarmos com um cara que foi extremamente importante no cenário punk, na moda e nos demais e diversos âmbitos que os cercam. É ele, Johnny Thunders!

Começou como guitarra fundador do The New York Dolls, com pegada e estilos bem carregados de glam (a Fernanda fez um compilado perfeito sobre a temática aqui na Zine, vale conferir) e mais tarde foi pro lado ainda mais punk da história com o The Heartbreakers. Passou também por carreiras solos e assim vai! Mas vamos ao que importa, a comunicação das suas vestimentas e estilo.

Podemos começar falando sobre algumas questões principais originadas fortemente desses movimentos (tanto o glam quanto o punk) e que é facilmente, visto aqui no estilo do Thunders: a rebeldia e a subversão. Nesse look por exemplo, muito interessante notar a combinação de cores análogas (ou seja, que estão próximas umas às outras dentro do círculo cromático). São cores que juntas evocam diretamente sensações de muita sensualidade e feminilidade ao nosso cérebro. A agressividade do vermelho brinca com a sutileza do rosa, que por vir em um tom bem tênue e bebê, reforça esse contraste. Mostra para a gente o quanto a brincadeira na subversão dentro do estilo pode vir nos “detalhes”, como uma combinação de cores.

O mesmo rola aqui! Mas com relação a texturas e modelagens, que falam tanto quanto cores, estampas e assim vai. Aqui, apesar da imagem mais sóbria, é bem legal notar que mesmo em um simples “all black”, tudo que ele busca comunicar segue de fato comunicando. Continuamos com o jogo através de subversão, primeiro porque a modelagem é toda ajustada e delineando o corpo, e isso está rolando através de uma camisa preta comum que se destaca ao lado do couro! Temos o fosco e mais leve em cima (mas em uma modelagem mais dura porque está toda bem fechada, formando linhas verticais e geométricas que nos passam força e segurança) com o duro, agressivo e brilhante na peça de baixo. Materiais como o couro, transmitem muita dessa sensualidade justamente por passarem essa sensação de dureza. Não temos uma camisa aberta, pele à mostra etc, mas ainda vemos uma imagem carregada pelo sexy por brincar com contraste entre essas estruturas.

E você quer mais subversão com o plus de quebra nas estruturas conservadoras? Pois temos aqui no auge do cenário punk, vestimentas que vêm de inspiração da Era Vitoriana, período que foi marcado pela expansão imperialista inglesa e aquela ideia dura e fixa do cristão devoto e soberano. Além de tudo, são peças que passam sim muito do romântico, devido aos tecidos, babados e formas arredondadas. Então de novo, a brincadeira do agressivo com o sutil!

Plataformas, mix de estampas e animal print! Notório como o sexy e subversivo segue permeando aqui, cada um dos looks. A oncinha inclusive é uma das estampas animais que mais vai transmitir sensualidade porque, de novo, suas formas são arredondadas, linhas que ao nosso cérebro transmitem muito do feminino e sensual (percebem como por exemplo, uma estampa de zebra, ao contrário, passa muito mais um sentimento de criatividade, dinamismo e assim vai?!). Ali no primeiro look temos um mix ousado, do jeito que a gente gosta! Tanto no recorte quanto na brincadeira das estampas, onde temos um tropical em cores quentes, batalhando com linhas diagonais de contraste bem alto. É punk, é caótico, é lindo demais.

O resumão é que, nosso grande Johnny Trovão carregou até o fim no seu estilo toda sua atitude marcante no meio musical e, deixou aqui notório e comprovado o quanto estilo é comunicação e expressão. Moda é política e transmissora de um mundo de ideais que você pode (e deve) escolher se pautar. E assim como os looks revolucionários que vimos aqui, fica de inspiração para lembrarmos sempre que não existe revolução punk maior que se amar e vestir o que bem entender em um mundo que impõe constantemente que você viva o contrário disso .

 

 

Marcela Araújo tem 25 anos, é formada em moda e trabalha com styling, produção e consultoria de imagem. Pauta todo seu trabalho na intenção de ajudar mulheres a se encontrarem e perceberem em si toda força que possuem para mover o que quiserem. Lá no instagram e no tik tok aborda uma série de reflexões e análises sobre imagem e estilo: @marcelarauj_

 

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