Protesto no desfile Louis Vuitton 2022

 

Já há um tempo temos refletido sobre a cultura do consumo que vivemos, as ultra-fast-fashion que lançam mil modelos de roupas por dia, as micro-tendências que duram um mês (às vezes nem isso) e o descarte de roupas crescente que estamos assistindo sem podermos fazer nada.

Além de sermos uma marca independente cuja sobrevivência num país como o Brasil já é difícil naturalmente, temos ainda que concorrer com marcas que copiam nossos modelos e vendem por ¼ do preço, sem respeitar todo o processo ético que nós pequenos não abrimos mão.

Não quero entrar no mérito do papel social do fast fashion, sei que ele é necessário e nunca vai acabar, mesmo com “especialistas” falando sobre seu fim há mais de uma década. A discussão é em torno da ética dessas empresas, sobre o hábito de consumo e também sobre a forma de descarte dos nossos dias atuais.

Recebemos com frequência mensagens questionando nossos preços e sabemos que as pessoas se acostumaram a pagar pouco por uma diversidade incrível de modelos e tamanhos, mas a verdade é que nossos preços já estão com a margem apertadíssima para a nossa sobrevivência. Fizemos nossas escolhas: materiais de qualidade que vão durar muitos anos, colaboradores remunerados justamente, aviamentos, embalagens, além de toda a estrutura para podermos existir, como aluguel, internet, luz, etc. Lembrem-se que somos uma marca independente e não tempos recursos para nos manter fazendo escolhas éticas e ao mesmo tempo fazendo promoções absurdas como a Black Friday, que nem sequer faz parte da nossa cultura.

Estamos tentando aumentar nossa grade há anos e somente esse ano conseguimos fazer tamanho 46. Pela primeira vez estamos produzindo nossa calça clássica até o 52. Não acho que é mérito, acho que é obrigação, mas ninguém consegue aumentar grade se tiver que fechar as portas. Estamos brigando com gigantes para poder sobreviver no meio de tudo isso, inclusive de uma pandemia.

Pensando em tudo isso, pensando que não concordamos com roupas descartáveis, que não queremos colaborar para essa cultura de consumo desenfreado, que não queremos vender apenas para ter uma fatia desse bolo, decidimos que esse ano não teremos Black Friday. Espero que vocês compreendam e estamos abertas à todas as dúvidas!

 

Beijos,

 

Marta Mandelli e Equipe Saloon 33

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